Ninguém quer discutir ou planejar minuciosamente como vai envelhecer, nem mesmo nossos pais e avós… “No entanto, externar planos, idéias, desejos e projetos para esta etapa da vida é necessário. Em família, não devem existir assuntos tabus. Assim, temas relativos à saúde, às finanças e à qualidade de vida na etapa final da vida devem ser discutidos. E é enquanto o idoso tem autonomia que ele deve informar a seus familiares como deseja envelhecer. Não precisa ser um plano de ação detalhado e minucioso…”, afirma a médica Renata Diniz, que dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.

Para a médica Vanessa Morais, que também dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade, “se há resistência do idoso em abordar o tema, filhos e netos podem empregar algumas estratégias para iniciar este diálogo, pois conhecer o posicionamento do idoso sobre determinados assuntos – tais como doenças terminais, doenças debilitantes, eminência da morte, necessidade da contratação de cuidadores especializados, necessidade de internamento por longo prazo -  pode auxiliar e nortear ações futuras de filhos e netos”, defende.

A seguir, as diretoras da VR MedCare enumeram estratégias que podem ser empregadas na abordagem destes temas:

1) Fale em terceira pessoa. Comente o exemplo de uma ocorrência na família de um  amigo.

“Fale sobre quando a tia do seu amigo estava muito doente e o médico explicou à família todas as possíveis opções de tratamento. Explique que foi difícil para o seu amigo decidir o que era certo ou errado para a tia. Como saber o que ela gostaria que fosse feito? Qualquer cenário que você use para introduzir o tema é importante para lançar a conversa como algo que você precisa saber para a sua própria paz de espírito”, diz Renata Diniz.

2) Comente eventos atuais, que repercutiram na mídia.

“A notícia não precisa ser tão dramática ou chocante. A controvérsia médico-ética local ou um relato sobre um terrível acidente pode servir como uma abertura para dizer: ‘Você sabe, qualquer um de nós poderia estar em uma situação como essa, sem aviso prévio. Deveríamos falar sobre o que gostaríamos que fosse feito na nossa família’”, recomenda Vanessa Morais.

3) Use histórias ficcionais:  livros, cinema e TV podem ser pauta.

“Alugar um filme como O Filho da Noiva pode criar uma abertura para abordagem do Alzheimer, por exemplo. Um comercial de TV destinado a espectadores mais velhos, mesmo que seja pueril pode preparar o terreno para o assunto que você deseja abordar. Você também pode mencionar um livro ou um artigo que você leu”, orienta a médica Renata Diniz.

4) Comece o assunto falando sobre o seu próprio plano e compartilhe suas impressões sobre o assunto.

“Utilizar-se como um exemplo pode ser uma boa tática. Faça o seu próprio planejamento avançado de cuidados na velhice, enquanto você é jovem e saudável, e peça a seus pais e avós para fazerem o mesmo”, sugere a médica Vanessa Morais.

5) Aborde o tema numa reunião de confraternização da família.

Você pode aproveitar  a hora da sobremesa e do cafezinho para levantar a questão do futuro de seus pais. “A dinâmica de cada família vai determinar se você deve começar a conversa a sós com sua mãe e seu pai ou se irmãos e irmãs devem participar também, o que seria muito importante, para, eventualmente, todos reunirem as mesmas informações. Introduzir um tema árduo, como um câncer terminal, pode ser um desafio se a sua família tem conflitos ou diferentes crenças religiosas. Se você prevê que haverá dificuldades, pode trazer uma terceira pessoa para esta conversa, como um tio, um padre, um pastor de confiança da família”, explica a médica Renata Diniz.

6) Seja receptivo, caso sua mãe ou seu pai levante o tópico por conta própria.

Às vezes não são os pais ou os avós que evitam esta conversa. Se a sua mãe inicia este diálogo, não diga: ‘você ainda é tão jovem’, ‘você ainda está muito bem’…  Aproveite a oportunidade para ouvir o que ela pensa sobre o assunto. Mesmo que você tenha problemas para falar sobre sua morte, não prive os seus pais e avós da chance de falar sobre a deles”, diz a médica Vanessa Morais.

FONTE: BEM PÚBLICO

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